sábado, 1 de novembro de 2025

Dilacerado

Você me dilacerou como quem deseja cortar o peito com palavras de amor. Eu te esperei acordado, eu te peguei em meus braços, deixei separado sua toalha, sua roupa, meu calor.

Eu vi você dormir, e mesmo sangrando, eu enxuguei suas lágrimas, te escondi do frio e te velei até o dia começar a amanhecer.

Eu estive ao seu lado nos melhores momentos da sua vida, te acolhi nos mais difíceis, era eu inteiramente me derretendo com seus beijos, desejando dia após dia ser seu, mas eu sei o não dito não é observado.

Eu sofri todas as vezes que eu via em seus olhos que eu não era suficiente, no amor, no sexo, na vida, na família, nos sonhos, nos planos, eu sempre fui pequeno diante das suas expectativas.

Eu sempre fui comparado e nunca venci, eu sempre fui a opção e nunca entendi, eu acreditava no mundo que você me mostrou, eu me entreguei a ele e a você, te levei comigo para todos os lugares, te comprei conforto, te comprei aventuras, momentos, mas nunca fui o primeiro nos seus sonhos de final feliz.

Eu era o cara errado, você me diz que nunca quis nada que eu dei, que fui, que me esforcei pra ser, sua felicidade seria um carinho, uma palavra de amor, um jantar a dois, um elogio ao amanhecer.
E eu entendo que nunca te elogiei, nunca nenhuma vez, nunca disse te amar ao amanhecer, nunca te levei pra jantar, nunca disse nenhuma palavra de amor, nunca te fiz carinho.

Eu nunca fui a pessoa que você queria que eu fosse, afinal existe alguns impossíveis que o amor não consegue vencer.

Você me matou todos os dias em que destilou paixão dos seus lábios, todas as vezes que fizemos amor, e na sua mente nunca fui eu ali.
O que escorre do meu corpo quente era antes suor, que pingava sobre seu corpo nu, que dizia eu te amo no seu ouvido, enquanto te comia bem devagar.

Agora o que escorre do meu corpo é sangue, lágrimas e dor, eu deveria ter entendido o primeiro adeus, ter acreditado no segundo adeus, me mantido firme no terceiro adeus, mas eu era seu, como poderia existir a opção de deixar de ser.

Me sinto quebrado, como lâmpada que cai e deixa todo o resto escuro, tateando eu encontro outra mão, que me guia, que no escuro me faz ver a beleza das estrelas, mesmo que as lágrimas não me permitam ver com clareza, eu acredito nas estrelas mesmo quando as nuvens não me permitem enxergar.

Ainda me sinto enjoado, incrível como o buraco da perda tem esse efeito, mata o coração e leva o estômago e a mente juntos.
Ainda estou tomando remédios pra passar o dia, pra passar a noite, pra passar a vida, mas a cada dia eu sei a dor diminui, tanto a dor causada como a dor sofrida.

Eu aceitaria o fim do mundo, mas não entendo o irreal de apenas um peito amar por inteiro durante todos esses anos, dos dias alegres, dos momentos de dor, das brigas e tristezas.
Mas acredito que tudo isso é sobre o fim do mundo, um mundo solitário, eu dizia te amo nos presentes, mas nunca fui bom em me comunicar eu falava o que você nao conseguia entender, você me dizia o que eu não sabia ouvir.

Agora o que me resta além da dor?

Além de sentir meu corpo tremendo de decepção?

Eu vivi o fim do mundo pra dizer o que vem depois.
Eu vejo um novo amanhecer.
E ele começa logo depois que a noite fica mais escura.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que bom ver que voltou a escrever! Muito feliz em ver que vc tem conseguido.

David Nascimento disse...

Obrigado

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