Sinto sono, mas meus olhos não permanecem fechados,
estou deitado,
mas minha respiração vem com o peso de mil navios abandonados.
Era mais fácil quando os carneirinhos apareciam,
mas mentes inquietas sufocam até animais imaginários.
Eu desisto, fico sentado olhando para meu quarto pequeno,
quatro paredes e uma janela pequena,
eu odeio janelas pequenas,
nesse instante de vazio me pergunto,
como pode meu pensamento se ramificar em tantas possibilidades do que pode acontecer,
como pode caber dentro de um quarto pequeno esse infinito?
Pego um livro empoeirado,
mas todos os vagões desse trem estão cheios,
nenhuma palavra consegue embarcar na confusão cada vez mais agitada da minha mente.
Assisto um filme,
dois filmes,
e a TV vai ficando cada vez menor como uma prisão,
eu recuso duas prisões ao mesmo tempo.
Tomo um banho quente,
tomo os remédios da receita,
me visto de coragem, fé e a infelicidade de nada funcionar.
Só me resta sair por aí,
sim já é madrugada,
mas eu preciso tentar,
ligo o carro,
deixo a rádio tocar a música que ela quiser,
sorte a minha, eu amo essa canção.
Cheguei na praia,
meu coração se acalma,
o sono ainda não apareceu,
mas já existe paz em mim.
Fico aqui parado flertando com o mar,
sentindo o gosto de ter vencido a batalha,
é eu sei,
a guerra continua, mas é bom encontrar aliados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário