segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Sobre barcos

Seus olhos me veem como
um barco afundando,
uma tempestade
que não alcança céu limpo,
apenas questão de tempo
para deixar de existir.
O mundo pra você é 
uma estrada de insegurança e medo,
tateando encontrar no outro
o vazio de si mesmo.

A coragem de se jogar ao desconhecido,
de enfrentar consequências e tristezas,
é apenas a covardia de não conseguir
encarar de peito aberto,
quem de verdade se é.
E se perguntar eu sou apenas a cura,
Ou sou parte da doença?

Suas ideias me trazem
o cheiro das ilusões de quem acredita
que o abuso é o outro,
que o erro é o outro,
que o inferno são os outros.
O oceano me encara de volta,
eu sou o barco e o marinheiro,
não existe em mim espaço pra ser desistente,
insisto balde a balde,
nenhum mar resiste a fé,
nenhum marinheiro é feito de mar calmo,
e aprendi através dos seus olhos
que barco com um só fica mais leve
do que barco com dois e que um só rema,
aprendi através dos seus olhos,
que as pessoas dão apenas o que podem dar,
seja amor, ingratidão ou desculpas,
aprendi através dos seus olhos
que sou barco afundando,
mas não me faltam forças nos braços
pra resistir e alcançar terra firme,
e logo logo chegará.

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